sexta-feira, 9 de março de 2012

Operário


Lá está o prédio em construção,
andaime por andaime feito no suor das mãos,
no trabalho árduo da longa jornada de pão e água,
cai um capacete, um chinelo e um corpo no chão,
mas todos atravessam a rua sem olhar a calçada...
cimento, tijolo, pedra, argamassa
e alguns pedaços humanos que se misturam
no embrulho sujo de sangue...

trabalhadores do mundo, de cidades que se erguem
ao som da pá e do toque das marteladas,
levantando a poeira de ruas inteiras
e causando choque no tráfego,
trabalhadores sem nome e sem alfabeto,
que tropeçam as pernas nos canteiros
e enchem de ar o vazio do estômago...
lá está o prédio, a dor, a fome
e lá se vai a vida que não tem preço.


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