sexta-feira, 9 de março de 2012

Salão vazio

O que faço eu
neste salão imenso,
no meio dessas pessoas
que não me conhecem,
representando um papel que não é o meu,
vivendo uma história que nem é a minha,

quando estendem a mão,
sinto o vazio das vidas medíocres
que se transmutam na poeira dos sapatos,
deixando apenas seus resíduos
na madeira do piso...

acho que nunca ouviram
a voz do uirapuru
riscando a mata verdejante
a voar no infinito azul,
nunca dançaram uma valsa, um tango,
ou fizeram serenata em noite de luar...

não, não tenho um par neste lugar,
nem no aconchego, nem no abraço
e no colo que me serve de regaço,
ninguém que me escute, ninguém que me chame,
ninguém que se permita a olhar
dentro dos olhos meus.

O que faço eu neste turbilhão
de sentimentos confusos,
que provocam a ânsia do enjôo
pelos corredores difusos
e deixam passar a sutil insensatez
nas portas que se fecham
diante da minha cara assustada e perplexa.

vou-me embora antes que seja tarde,
antes que esse vendaval me arrebente
pelo golpe cruel e incerto;
e nesse jogo da vida,
eu seja a metade dividida
da parte, por certo, destruída
deste imenso salão deserto. 


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